segunda-feira, 14 de julho de 2008

É preciso aprender a conciliar o trabalho com a vida familiar

Diário do Minho :: 2008.07.13

A directora do International Center on Work and Family defendeu ontem na 1.ª Convenção Nacional da Família, organizada pela associação In Família, que todos temos de aprender a conciliar o trabalho com a vida familiar e pessoal. Caso contrário, o trabalho é como um gás que se introduz em todos os furos que deixamos na agenda e acaba por ocupar o tempo e a energia necessária para a vida familiar e pessoal.


Segundo Nuria Chinchilla, o primeiro passo para conciliar o trabalho com a família passa por um conhecimento pessoal, onde cada um terá que se questionar de onde venho, para onde vou, para que sirvo e o que quero ser. «A partir do momento em que clarificar as minhas prioridades parto para o trabalho, não só na minha missão pessoal, mas também descobrindo a missão da minha família, a missão empresarial em que trabalho e a minha missão social. São quatro missões, mas apenas uma única vida», disse.

Assim, salientou a investigadora, as pessoas têm de ser pró-activas na liderança da sua própria vida. «Se não tivermos realmente feito a reflexão sobre para que servimos e para onde vamos, as exigências que nos rodeiam acabam por nos dominar, gerando mais stress e, sobretudo, manipulando-nos como marionetas», realçou.

Na opinião de Nuria Chinchilla, esta atitude pró-activa é de extrema importância não só para as pessoas que a adoptem, como também para as suas famílias, para as empresas onde trabalham e para a sociedade em que estão inseridas.

Desta forma, sustentou, estamos a construir uma sociedade que vai ao encontro da ecologia humana.«Tal como estão estruturadas hoje a sociedade, as empresas e o que se verifica no seio das famílias, onde há pouco tempo para viver em família, as capacidades e virtudes necessárias para construir essas mesmas empresas e sociedades desenvolvem-se menos. É o que chamamos, do ponto de vista mais técnico, capital humano e capital social. A capacidade de estabelecer relações sãs, estáveis, verdadeiras e de confiança», disse.

Empresas mais humanas

Assim, na sua opinião, se a família falha na sua capacidade de se comprometer, porque já lá não se mora e a família é mais um hotel do que um lugar seguro, as pessoas que a compõem acabam também por falhar na sua vida profissional. Essas pessoas não irão pensar nas melhores formas de construir a empresa em que estão inseridas, ou seja, na sua doação. Pensam apenas em receber.

Desta forma, defendeu, é impossível edificar a estabilidade necessária para os negócios e para as sociedades sustentáveis. «Fala-se muito nas alterações climáticas, da ecologia e da preservação do meio ambiente, mas, na verdade, é necessário dar mais um passo. Os ecossistemas existem para garantir a sustentabilidade das pessoas e da sociedade», acrescentou.

Nesta ordem de ideias, Nuria Chinchilla considerou que é preciso repensar a empresa, para que esta seja mais humana, isto é, se torne numa “Empresa Mais Familiarmente Responsável”.
Segundo realçou a directora do International Center on Work and Family, é de extrema importância implementar e ampliar este novo conceito, que significa construir empresas mais à medida do homem e da mulher, porque estas empresas tornam-se mais produtivas e mais competitivas.

«Em Espanha, este conceito cresceu muito e temos já um certificado da empresa mais familiarmente responsável. No IESE – Business School, em Barcelona, temos também uma base de dados com mais de duas mil empresas que, em cada ano, vão vendo se melhoraram ou não, por exemplo, em termos de flexibilidade laboral, no apoio a quem tem filhos ou pais dependentes», explicou.

Em Portugal existe já o prémio “Empresa Mais Familiarmente Responsável”, que já vai na sua 4.ª edição e é uma iniciativa da AESE, da Deloitte e do Diário Económico. A evolução este prémio também foi ontem apresentado nesta1.ª Convenção Nacional da Família, tratando-se de uma distinção que visa reconhecer as melhores práticas das empresas a operar no país, na área das políticas familiares, designadamente, ao nível das políticas de flexibilidade do tempo, benefícios sociais e apoio profissional aos colaboradores e seus familiares directos.

Ao Diário do Minho, Rosa Freitas Soares, da Deloitte, disse que a conciliação trabalho/família tem sido um valor que as empresas estão progressivamente a dar importância nos últimos anos e que as boas práticas também têm vindo a aumentar e a impor-se no seio destas mesmas empresas.

Pode ler a notícia no site original AQUI.

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